*Artigo publicado no jornal Diário do Minho de 14 de Julho de 2009
A região natural portuguesa do Minho, composta pelos distritos de Braga e Viana do Castelo, foi instituída por reforma administrativa em 1936, nunca tendo tido qualquer atribuição prática, desaparecendo efectivamente do vocabulário administrativo com a entrada em vigor da Constituição de 1976.
Repartidos por 24 concelhos, os eleitores do Minho representam uma percentagem superior a dez por cento do total nacional, num valor que ultrapassa o milhão, evidenciando constantemente, em particular no distrito de Braga, com perto de 800.000 inscritos, um índice de participação política e cívica mais elevado, conforme demonstra a percentagem de abstenção em actos eleitorais continuadamente inferior à média nacional.
Considerando a sua comunidade mais rural e população de maior pendor religioso, esta província tem demonstrado, como claramente comprovam os dois referendos sobre a interrupção voluntária da gravidez efectuados em Portugal, uma superior expressão de voto conservador, apresentando em todas as eleições partidárias uma votação tendencialmente melhor nos partidos de direita do espectro político quando comparada com o todo nacional.
Atendendo à sua preponderância, relevante em qualquer sufrágio, à afectação considerável da crise económica actual, que propicia uma disposição para penalizar quem se encontra no Governo, e à tendência do votante local, mais rural e conservador, para procurar através do voto, independentemente do acto eleitoral que se realiza, uma relação de maior proximidade com quem poderá ser seu porta-voz e embaixador, obtém-se suporte para as recentes estratégias partidárias de efectivo compromisso com o Minho levadas a cabo por formações partidárias de direita da cena política portuguesa.
Destacam-se, no que à região se refere nesta distinta abordagem eleitoral, a candidatura à Assembleia da República de Manuel Monteiro, que se designa como o Deputado do Minho, apesar desta apenas se circunscrever ao distrito de Braga, e a recente campanha, com consequente eleição, do Eurodeputado José Manuel Fernandes pelo Partido Social Democrata, que tomará posse no dia 14 de Julho.
Considerando o carácter regional da eleição à Assembleia da Republica, que não retira o pendor estratégico à candidatura do movimento Missão Minho para a eleição de um Deputado pelo círculo eleitoral do distrito de Braga, não deixa de ser particularmente significativo, pela evidência de relevo da região, que o maior partido da oposição, o Partido Social Democrata, no decurso da recente campanha para as Eleições Europeias em Portugal, comummente com uma estratégia de âmbito nacional, tenha promovido uma abordagem paralela local com o claro intuito de alcançar o único resultado que servia os seus interesses estratégicos, a vitória, nunca antes obtida em actos eleitorais para o Parlamento Europeu.
Possuindo no anterior mandato apenas sete Eurodeputados e com o firme propósito de um aumento de expressividade, este partido designou José Manuel Fernandes, presidente de uma autarquia de média dimensão do Baixo Minho – Vila Verde – não recandidato às eleições autárquicas de Outubro próximo, o oitavo lugar da sua lista e com base neste militante de relevo executou uma campanha de âmbito local, em si centralizada, com vista a alcançar na região, de capital e volume eleitoral considerável, um aumento substancial na votação.
Com uma orientação de centro-direita, é particularmente interessante este partido ter adoptado no Minho uma estratégia específica análoga à nacional, consolidada num candidato local, próximo das pessoas, algo que apenas tem paralelo nas duas regiões autónomas portuguesas, os arquipélagos da Madeira e dos Açores, que, pela sua insularidade e autonomia, efectivamente justificam tal abordagem.
Os dados da votação deste sufrágio comunitário confirmaram a sua preponderância no todo nacional, revelando-se, numa primária avaliação, determinante para a eleição de pelo menos três Eurodeputados, decorrente do amplo crescimento de algumas forças políticas no escrutínio e região em concreto, tendo o Partido Social Democrata, ao contrário do sucedido em 2004, votação suficiente para a eleição de um Eurodeputado, o que patenteia a utilidade da aposta implementada.
Assim, considerando a estratégia europeia desenvolvida pelo Partido Social Democrata no Minho que, pelo crescimento considerável e eleição de José Manuel Fernandes, se revelou acertada, aguarda-se, neste caso concreto e noutros semelhantes, que a escolha conferida pelo eleitorado minhoto evidencie o primeiro passo de um efectivo compromisso de proximidade e representatividade da região, que não se reduza apenas ao acto eleitoral em si mas a um mandato que se exige ser superiormente cumprido.
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