quinta-feira, 30 de julho de 2009

Está dito e bem dito...

"Eu quando vejo o programa [eleitoral] do Partido Socialista acho que o Natal chegou em Agosto".

Paulo Portas, Grande Entrevista da RTP
30.07.2009

Está dito e bem dito...

Não há como uma campanha eleitoral para pôr a máquina judicial a mexer. Tanta vezes inalcançável para o comum dos mortais, a justiça torna-se, nesta época festivaleira, uma arma de arremesso política que serve tanto a esquerda como a direita".

Pedro Norton, "Visão"
30.07.2009

A Boca...

Agora ninguém fala dos outdoors em jardins e rotundas!

Que estranho...

Fica o comentário...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Penso, logo existo...

Será Alberto João Jardim o único a notar a percentagem superior a 20% da extrema esquerda em Portugal?

Sim, porque a imagem aparentemente cool do BE de Francisco Louçã e a cassete imensamente repetitiva do PCP de Jerónimo de Sousa não lhes retira a base ideológica destruidora e perigosa para a democracia!

Será necessário esta regressar ao poder para relembrar os portugueses e dela voltarem a fugir a sete pés?

Fica o alerta...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Está dito e bem dito...

"Nenhum dos figurantes sai bem nesta ópera bufa: Sócrates jurou e toda a gente duvidou, Louçã fez escarcéu a mais e JAD [Joana Amaral Dias] deveria saber que há convites que não devem ser vozeados para a praça pública".

Carlos Abreu Amorim, jurista, "Correio da Manhã"
27.07.2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Mau tempo em Braga...

Na semana que agora finda fomos surpreendidos com um tempo que até nos fez esquecer a época do ano que vivemos, sendo que apenas na manhã de terça-feira houve uma intensidade de chuva considerável, que não se pode considerar superior à pluviosidade regularmente sentida nesta região nos períodos de Outono/Inverno.

Contudo, o cenário verificado não deixou de a todos surpreender, com ruas convertidas em lagos, todo o tipo de bens submersos e túneis completamente inundados.

Não se tendo vislumbrado no próprio dia qualquer actividade concertada de protecção civil, e sendo a realidade vivida na ocasião reflexo de uma falta de planificação e desleixo de quem se sabe, não deixa de ser singular a pronta intervenção da empresa municipal AGERE para limpeza dos referidos locais, algo que se prolongou por quarta-feira e se alongado pela noite fora.

No entanto, volvidos uns dias, assiste-se, com consequente perturbação do trânsito, a cortes de vias estruturantes por parte das autoridades policiais para operações da referida empresa de capitais maioritariamente públicos e participada pelos privados que toda a gente conhece, com o intuito de dar seguimento aos trabalhos decorrentes de tal intempérie.

Ao que se sabe, estas acções irão continuar na próxima semana, com evidentes prejuízos para todos, encontrando-se os funcionários da AGERE a proceder agora à limpeza dos colectores de águas pluviais e, surpreendentemente, de saneamento também, algo que até a mim, um leigo na matéria, me provocou uma certa estranheza.

Averiguando junto dos referidos técnicos, foi-me dada a informação que as condutas mencionadas, ambas, se encontram altamente congestionadas por, pasmem-se, terem no seu interior uma quantidade infindável de entulho proveniente das obras do túnel da Avenida da Liberdade, motivo que, na óptica dos mesmos, levou a tamanho alagamento verificado terça-feira.

Assim, apesar das chatices e transtornos provocados pela chuvinha desta semana, parece-me inovador a empresa Britalar ter utilizado este conceito inovador de escoamento de entulho, altamente benéfico para o decréscimo de poluição visual e custos inerentes da obra, o que merece um cabal reconhecimento nosso, ou não fosse esta uma entidade com pública certificação de qualidade!

Mas eu diria mais!

Chato foi ter chovido tanto e tão cedo, não foi?

Tchhh! Apanhado de novo a falar de mais... Despedimento por justa causa, JÁ!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Penso, logo existo...

Sobre o Compromisso Portugal, como bem diz o ionline de hoje, no fundo, a culpa não é do PS, é dos eleitores...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Compromisso Portugal "chumba" governo de José Sócrates

Portugal não está em melhores condições para enfrentar o futuro e mesmo que não houvesse crise financeira, o Governo continuaria sem conseguir alcançar os seus próprios objectivos, considera o Compromisso Portugal.

No avaliação que fazem dos últimos quatro anos de governação socialista, os três lideres do projecto (António Carrapatoso, Joaquim Goês e Rui Ramos) "chumbam" o Governo de José Sócrates, considerando que este, "apesar do seu ímpeto reformista inicial", não terá feito "muito melhor" que os antecessores.

"É improvável que este Governo tenha deixado na História do país uma marca à altura da situação preocupante em que vivemos. Dificilmente se poderá dizer que o país está agora em melhores condições de vencer os desafios futuros do que estava no início de 2005", consideram.

Na última avaliação à acção governativa deste projecto, realizado com base nas próprias metas anunciadas pelo Governo, o Compromisso Portugal sublinha que "esses objectivos não teriam sido atingidos mesmo sem a crise internacional do último trimestre [de 2008] (...) tendo em conta a evolução e tendência até 2008".

Os responsáveis destacam que "o aspecto mais inquietante da actuação deste Governo" é o alargamento da actuação do Estado "com um estilo de intervenção demasiado intrometido e musculado", que terá levado a um agravamento da "promiscuidade entre política e negócios".

"O Governo deixou a impressão de que nem sempre terá sabido resistir à tentação de tirar partido dos activos do Estado (empresas em que participa) para intervir na área empresarial. (...) Com a sua indisponibilidade em separar o Estado dos negócios, o Governo manteve a tradicional promiscuidade entre agentes políticos e agentes económicos", afirmam.

Os responsáveis vão mais longe, considerando mesmo que "uma grande parte dos empresários e gestores de grandes empresas encontram-se condicionados pelo poder político" levando a que estes, por um lado, tentem "aproximar-se do poder para recolher benefícios e protecção" e, por outro lado, sintam a "necessidade de ter o seu aval para qualquer decisão mais significativa".

Para o Compromisso Portugal, o Governo "falhou" ainda no relançamento sustentado e estrutural da economia e da sua competitividade (independentemente da crise internacional), na reforma e modernização da administração pública, na reforma da justiça, na melhoria da qualidade ambiental, sustentabilidade e coesão territorial.

Em declarações à Lusa, Rui Ramos, professor universitário e um dos três responsáveis do Compromisso Portugal, considerou que "o Governo falhou ao não conseguir explicar e descrever qual a visão que tinha para o país" e "falhou uma segunda vez ao confundir em termos das reformas, a profundidade e o impacto das reformas, com o conflito que as reformas iam suscitar".

"A partir de determinada altura o conflito pareceu que era a credencial principal do Governo para dizer que era reformista. (...) O conflito alimentou perversamente uma auto-imagem do governo como um governo reformista que poderia talvez ter sido alcançado de uma outra maneira e com efeitos muito maiores", afirmou Rui Ramos.


O responsável do Compromisso Portugal, que divulgou hoje uma avaliação dos últimos quatros anos de governação socialista, disse ainda que "no fim de 2008 o Governo continuou a subestimar os efeitos em Portugal da crise financeira e sobretudo a dimensão económica que essa crise iria adquirir". "O que a crise internacional veio fazer foi revelar as nossas fragilidades domésticas. Trouxe dificuldades de fora, mas essas tornaram-se maiores em Portugal por causa das dificuldades internas que já temos e foi ao subestimar essas dificuldades internas que o Governo também subestimou os efeitos que em Portugal iria ter a crise económica internacional", explicou.

Rui Ramos disse que o Compromisso Portugal concluiu "por um lado, [que] é verdade que este Governo, mais até do que governos anteriores, fez um esforço para cumprir o seu programa e teve até vontade para mudar muitas coisas, mas que a sua obra ficou aquém do que prometera e do que o país precisava".

in Público online

Está dito e bem dito...

A mudança não tem nada de mal, se for na direcção certa!

Sir Winston Churchill

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Braga e os Média...


O peso mediático de Braga é tanto que, afinal, conforme documenta a reportagem da RTP, o INL foi inaugurado em Guimarães!

Por esse facto felicitam-se os governantes desta nossa ilha...

No entanto, é de se salientar Braga ser motivo de notícia frequentemente, não apenas por casos dúbios de relações entre autarquia e certas entidades ou pessoas, mas também por circunstâncias, agora usuais, de derrocadas de prédios, incêndios em habitações e intervenções de protecção civil de eficácia questionável.

A falta de planificação, execução e eficácia leva a que se critique o Vereador do pelouro, pela tutela política delegada, mas alguém sabe quem é o responsável operacional de protecção civil do concelho?

Fica uma dica: não foi nomeado Comandante Operacional Municipal de Protecção Civil quem por inerência legal e competência técnica deveria ter sido...

Ups, falei em demasia... Mais dois processos disciplinares!

Está dito e bem dito...

"Neste sítio um ministro pode ir para a rua por um par de cornos infantis ou por uma piada de mau gosto. As roubalheiras, os negócios escuros, os compadrios, a corrupção a céu aberto e o tráfico de influências, não só são tolerados como premiados nas urnas".

António Ribeiro Ferreira, "Correio da Manhã"
20.07.2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Está dito e bem dito...

"Algo tem de estar muito mal neste país para que 65 por cento dos portugueses defendam a prisão perpétua e 26 por cento concordem com a pena capital".

Pedro Camacho, "Visão"
16.07.2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A questão local...

Aos desatentos, apesar dos riscos que se correm nos dias de hoje, cumpre-me de modo pragmático lembrar o seguinte:

Para as eleições autárquicas deste ano há duas e só duas hipóteses de governo do município viáveis, logo existem dois e apenas dois sentidos de voto possíveis.

Para quem deseja que tudo fique como está, preservando uma realidade com 33 anos de Mesquita Machado na presidência da autarquia, pode optar por qualquer uma das candidaturas existentes, ou outras que possam surgir, excepto a da coligação Juntos Por Braga.

Para quem efectivamente quer ser parte integrante de uma mudança de orientação e de políticas, num propósito de renovação de rostos e mentalidades, tem apenas uma atitude a tomar: não se abster e votar Ricardo Rio.


Será certamente importante uma representatividade plural nos diversos orgãos autárquicos, que naturalmente se obterá, mas o claro objectivo de mudança apenas será conseguido, por muito que se torne custoso para alguns, apostando na única alternativa digna desse nome.

Agora, perante o exposto, aguardam-se as usuais represálias...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pela Nossa Terra…

*Artigo publicado no jornal Diário do Minho de 14 de Julho de 2009

A região natural portuguesa do Minho, composta pelos distritos de Braga e Viana do Castelo, foi instituída por reforma administrativa em 1936, nunca tendo tido qualquer atribuição prática, desaparecendo efectivamente do vocabulário administrativo com a entrada em vigor da Constituição de 1976.


Repartidos por 24 concelhos, os eleitores do Minho representam uma percentagem superior a dez por cento do total nacional, num valor que ultrapassa o milhão, evidenciando constantemente, em particular no distrito de Braga, com perto de 800.000 inscritos, um índice de participação política e cívica mais elevado, conforme demonstra a percentagem de abstenção em actos eleitorais continuadamente inferior à média nacional.

Considerando a sua comunidade mais rural e população de maior pendor religioso, esta província tem demonstrado, como claramente comprovam os dois referendos sobre a interrupção voluntária da gravidez efectuados em Portugal, uma superior expressão de voto conservador, apresentando em todas as eleições partidárias uma votação tendencialmente melhor nos partidos de direita do espectro político quando comparada com o todo nacional.

Atendendo à sua preponderância, relevante em qualquer sufrágio, à afectação considerável da crise económica actual, que propicia uma disposição para penalizar quem se encontra no Governo, e à tendência do votante local, mais rural e conservador, para procurar através do voto, independentemente do acto eleitoral que se realiza, uma relação de maior proximidade com quem poderá ser seu porta-voz e embaixador, obtém-se suporte para as recentes estratégias partidárias de efectivo compromisso com o Minho levadas a cabo por formações partidárias de direita da cena política portuguesa.

Destacam-se, no que à região se refere nesta distinta abordagem eleitoral, a candidatura à Assembleia da República de Manuel Monteiro, que se designa como o Deputado do Minho, apesar desta apenas se circunscrever ao distrito de Braga, e a recente campanha, com consequente eleição, do Eurodeputado José Manuel Fernandes pelo Partido Social Democrata, que tomará posse no dia 14 de Julho.

Considerando o carácter regional da eleição à Assembleia da Republica, que não retira o pendor estratégico à candidatura do movimento Missão Minho para a eleição de um Deputado pelo círculo eleitoral do distrito de Braga, não deixa de ser particularmente significativo, pela evidência de relevo da região, que o maior partido da oposição, o Partido Social Democrata, no decurso da recente campanha para as Eleições Europeias em Portugal, comummente com uma estratégia de âmbito nacional, tenha promovido uma abordagem paralela local com o claro intuito de alcançar o único resultado que servia os seus interesses estratégicos, a vitória, nunca antes obtida em actos eleitorais para o Parlamento Europeu.

Possuindo no anterior mandato apenas sete Eurodeputados e com o firme propósito de um aumento de expressividade, este partido designou José Manuel Fernandes, presidente de uma autarquia de média dimensão do Baixo Minho – Vila Verde – não recandidato às eleições autárquicas de Outubro próximo, o oitavo lugar da sua lista e com base neste militante de relevo executou uma campanha de âmbito local, em si centralizada, com vista a alcançar na região, de capital e volume eleitoral considerável, um aumento substancial na votação.

Com uma orientação de centro-direita, é particularmente interessante este partido ter adoptado no Minho uma estratégia específica análoga à nacional, consolidada num candidato local, próximo das pessoas, algo que apenas tem paralelo nas duas regiões autónomas portuguesas, os arquipélagos da Madeira e dos Açores, que, pela sua insularidade e autonomia, efectivamente justificam tal abordagem.

Os dados da votação deste sufrágio comunitário confirmaram a sua preponderância no todo nacional, revelando-se, numa primária avaliação, determinante para a eleição de pelo menos três Eurodeputados, decorrente do amplo crescimento de algumas forças políticas no escrutínio e região em concreto, tendo o Partido Social Democrata, ao contrário do sucedido em 2004, votação suficiente para a eleição de um Eurodeputado, o que patenteia a utilidade da aposta implementada.

Assim, considerando a estratégia europeia desenvolvida pelo Partido Social Democrata no Minho que, pelo crescimento considerável e eleição de José Manuel Fernandes, se revelou acertada, aguarda-se, neste caso concreto e noutros semelhantes, que a escolha conferida pelo eleitorado minhoto evidencie o primeiro passo de um efectivo compromisso de proximidade e representatividade da região, que não se reduza apenas ao acto eleitoral em si mas a um mandato que se exige ser superiormente cumprido.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Portugal tem a sexta taxa de desemprego mais elevada da OCDE

Portugal, juntamente com França, apresenta a sexta maior taxa de desemprego dos países da OCDE, com 9,3 por cento da população activa desempregada, após Espanha (18,7 por cento), Irlanda (com 11,7 por cento), Eslováquia (11,1 por cento), Hungria (10,2 por cento) e EUA (9,6 por cento).

A taxa de desemprego subiu para 8,3 por cento na zona da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) em Maio, contra os oito por cento no mês anterior, segundo os dados hoje divulgados.

Na Zona Euro, a taxa de desemprego era de 9,5 por cento em Maio e na União Europeia 8,9 por cento.

* OCDE - Dados de Maio

Está dito e bem dito...

"A ilusão do fim da crise é uma tentação para a propaganda eleitoral do PS".

Sarsfield Cabral, "Público"

13.07.2009

sábado, 11 de julho de 2009

Está dito e bem dito...

"Sócrates e Ferreira Leite são as únicas personalidades que podem vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro".

Emídio Rangel, "Correio da Manhã"
11.07.2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Provedor

Ao fim de um ano de impasse, Alfredo José de Sousa, candidato conjunto do PS e do PSD a Provedor de Justiça, ultrapassou largamente os dois terços exigidos pela Constituição numa votação ocorrida hoje na Assembleia da República.

Apesar deste escrutínio maciço, com 198 votos a favor em 217 votantes, não fica esquecido todo o enredo político passado.

No entanto, apenas um sufrágio claro e inequívoco poderia contribuir para que esta trama fosse claramente ultrapassada, pelo que se felicita a sensatez.

Afinal o Bloco de Esquerda também tem destas coisas...

O BE, que contribuiu para a saída de Manuel Pinho do Executivo ao divulgar no Parlamento, de modo quase imediato, a fotografia da sua pose, acabaria por se revelar, ironicamente, a última vítima deste embaraçoso episódio.

No dia seguinte à demissão do responsável pela pasta da economia, depois de ter aplaudido a sua saída do Governo, teve um elemento da sua direcção, António Chora, a brindar ao ex-Ministro no seu jantar de despedida.

Este membro da Comissão Política do Bloco explica: «Fui como membro da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, como membro da comissão política do BE não teria ido».

Curiosamente a direcção do BE, perante tal embraço, reagiu com cautela, demarcando-se de Chora, mas evitando criticá-lo. Os comentários de vários dirigentes variaram de «não comento esse assunto» (João Semedo) e «não falo sobre isso» (Miguel Portas) a «essa é uma questão pessoal» (Pedro Soares).

Perante a suposta pureza desta formação patidária e sua impunidade junto dos orgãos de comunicação social, este caso revela-se um acontecimento a registar, particularmente pela mediatização de que foi alvo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Penso, logo existo...

Mais do que os seus próprios dedos, foram os indicadores económicos e, particularmente, os políticos que verdadeiramente tramaram Manuel Pinho.

Não se terá inspirado em Braga?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Está dito e bem dito...

"Se as mentiras valessem tanto como um par de cornos já não havia ministros. E muito menos Presidente do Conselho".

António Ribeiro Ferreira, "Correio da Manhã"
06.07.2009

Com datas distintas...

domingo, 5 de julho de 2009

Democracia, Mediatização e Provedor

*Artigo publicado no jornal Diário do Minho de 27 de Junho de 2009

Um facto com o qual temos que lidar no presente momento é a efectividade da tecnologia da informação, nas suas mais diversas vertentes, nos planos de acção/actuação política.


Esta realidade veio alterar por completo a acção e interacção política/sociedade, sendo algo mais efectivo e imediato, que não necessariamente mais fácil, compreensível e eficaz.

No plano da comunicação política, a televisão, a internet, tornaram-se hoje um verdadeiro espaço público, sem fronteiras, perante o qual os aparelhos partidários deverão adequar sua mensagem e propósito.

Diante a inevitabilidade de uma constante informação pelas vias mencionadas, e outras que assumem o seu devido relevo, como jornais e rádios de informação, e com a quantidade de factos políticos que vão sucedendo na cena política, a tentação de aproveitamento deste tipo de espaços para a capitalização eleitoral e de notoriedade é, de facto, inevitável.

Por outro lado, a informação, peça chave do exercício cívico e participação, dá sustento à acção política e propostas nela contidas, sendo que quanto mais informado o cidadão está, maior será a sua capacidade e, espera-se, tendência para o contributo cívico e social.

Na realidade política portuguesa têm sido marca dominante os factos políticos que se inserem no jogo partidário quotidiano, dos quais destaco a polémica relativa à ainda não eleição do novo Provedor de Justiça, e consequente informação/desinformação vinculada pelos diferentes agentes políticos com o intuito de capitalização partidária e eleitoral num ano farto de actos eleitorais.

O Provedor de Justiça é uma figura constitucional de mediação entre as instituições governamentais de justiça e o cidadão, com intuito de assegurar a cada indivíduo a certeza de poder viver em condições de liberdade e de segurança, na medida em que, com total independência, censura e controla os erros, excessos e abusos dos poderes constituídos.

A nomeação desse alto cargo de estado deve ser sufragada por uma maioria qualificada de dois terços na Assembleia da República Portuguesa, o que, perante o panorama representativo actual, exige um acordo entre os dois maiores partidos do espectro político português, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata.

Relativamente a este caso em concreto, foi-se assistindo a uma luta de interesses meramente partidários entre os dois maiores partidos portugueses, que se vem arrastando há alguns meses, sem o propósito simples de resolução do problema, transparecendo, na sua essência, uma busca de serviço às suas clientelas numa óptica de ocupação de um cargo de relevo na esfera de poder.

A inconsequência dessa designação, fomentada por esses mesmos agentes de poder, leva a um jogo de mediatização de factos, grande parte deles sem relevo para a solução do problema, em que os partidos, ou candidatos, apenas inundam a opinião pública com um sem número de episódios e nomes com o propósito de criar a sensação no eleitorado que essa inacção política se deve a agentes que não os do partido em questão, mas do outro elemento com responsabilidades na concertação da solução.

O facto, inegável, é que o problema vem persistindo, não tendo sido possível, em grande parte destes últimos meses, detectar nesses mesmos agentes políticos vontade clara de consenso, apenas se denotando, sem qualquer interesse pelo cabal esclarecimento da situação em questão e sua oportunidade, que o jogo mediático é o mais relevante com vista a uma maior capitalização eleitoral e de notoriedade.

Mas, considerando os agentes envolvidos e as recentes declarações de um candidato ao cargo, o Professor Jorge Miranda, proposto pelo PS, e consequente retirada da sua candidatura, demonstra claramente o espírito de vínculo partidário da candidatura em questão, propósito meramente estratégico e de instrumentalização, o que, apesar do crédito desta personalidade na sociedade, não lhe conferia, como é evidenciado pelas declarações do próprio, as singularidades necessárias para o exercício das funções de Provedor de Justiça e consequente garante de isenção, determinante para o exercício do cargo.

Assim, perante mais este episódio, é de louvar a retirada da candidatura em questão, pelos pressupostos que entretanto se revelaram, sendo um imperativo encarar a possibilidade de, construtivamente, colocando definitivamente de parte circunstâncias de pouco relevo social e político, se fazer da actuação política algo mais do que um espectáculo sem essência, buscando, os partidos políticos, uma solução que cumpra os verdadeiros propósitos das funções em questão, seus princípios de isenção, imparcialidade e seriedade.

Nesse sentido, considera-se sensata a apresentação do conselheiro e ex-presidente do Tribunal de Contas, Alfredo José de Sousa, como possível sucessor de Nascimento Rodrigues e novo Provedor de Justiça, sob proposta do PS e PSD, pela, apesar de tardia, consciência de imperativo nacional na figura do Provedor, que, finalmente, se apresenta de pertinente resolução.

Sendo censurável a falta de diligência demonstrada na resolução desta questão relevante de mediação e o jogo partidário repreensível que foi acompanhando tal indefinição, onde todos os agentes devem assumir a sua dose de responsabilidade, é de se evidenciar a indicação da personalidade em questão, pela isenção, prestígio, sentido de serviço à República e interesse público revelados continuadamente.

Pelo seu percurso, credibilidade e conduta, crê-se ser exequível a obtenção de uma votação clara no momento da sua eleição, pelo que se considera sensata a obtenção de um consenso amplo, extensível aos restantes partidos políticos com assento na Assembleia da República.

A indefinição deste processo e sua solução tardia esperam, agora, pela cabal solução apresentada, uma postura política responsável, não assente em opções políticas tomadas pelo efeito eleitoral e de capitalização que poderá ter na sociedade mas de pertinência social e institucional que declaradamente ostenta.