"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. (...) Falta a aptidão e o engenho e o bom senso e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, inveja, intriga, vaidade, frivolidade e interesse. (...) Combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. (...) Estamos num estado comparável à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão."
Eça de Queirós
1867