*Artigo publicado no jornal Diário do Minho de 09 de Agosto de 2009
A adopção de posturas sectárias e divisionistas nos partidos políticos não é um fenómeno novo, nem um património exclusivo das suas instâncias nacionais, sendo que por vezes se apresenta ténue ao olhar do eleitorado.
No entanto, em vésperas de dois combates eleitorais decisivos, o Partido Social Democrata foi, no seu último Conselho Nacional ocorrido esta semana, protagonista de um acontecimento bizarro de depuração às claras de uma pretensa oposição interna.
Numa conjuntura em que o maior partido da oposição deveria dar um sinal claro de unidade e pluralidade, Manuela Ferreira Leite apresentou de modo obstinado as suas escolhas para deputados que denunciam uma visível aversão aos que protagonizam uma sensibilidade diferente mas de categórico relevo para a organização e para o país.
Colocando de parte quadros de reconhecida valia e qualidade que disseram presente neste que é o momento adequado para tal, foi dado um claro contributo para, sem surpresas, se embaraçar uma força partidária pelo descabimento em que se cai.
O corrimento levado avante pela líder do Partido Social Democrata acabará por se revelar um erro político estratégico grave, irreparável até, pela ostracização e marginalização de quadros políticos de enorme carácter e notoriedade como Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, entre outros.
Mas a exclusão de sensibilidades diversas não foi, neste processo de feitura das listas para Deputados à Assembleia da República Nacional, algo que apenas perturbou o Partido Social Democrata.
Desde os Alegristas banidos das listas do Partido Socialista à tão falada Joana Amaral Dias, cobiçada por Sócrates, que o Bloco de Esquerda nem convidou para integrar o seu rol de candidatos, todos os partidos fizeram as suas purgas e exclusões.
Para o cidadão que avalia pelo prisma do eleitor, tais atitudes, transversais a todo o espectro português, apenas conferem descrédito à actividade política e fomentam uma cidadania avessa à democracia plural.
Contudo, para o bem de todos, neste que também é um ano de eleições autárquicas, espera-se que as estruturas locais não alinhem pelo mesmo tom e propiciem, naturalmente, a multiplicidade que caracteriza os partidos e a sociedade.
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